A indústria da mineração continua prosperando, impulsionada pelo aumento da demanda por matéria prima. No entanto, permanece o grande problema, associado a exploração massiva do ecossistema, a deposição e gestão de seus rejeitos, a própria conservação da água e, como vimos, ruturas de barragens de deposição de rejeitos que, literalmente, deixaram rastos de mortes e destruição. À medida em que se explora mais o solo, mais aumenta a taxa de rejeitos e mais locais são necessários para sua deposição, que pode ser via úmida ou via alternativa. Após o processamento do solo, o rejeito é parcialmente desaguado e armazenado em grandes aterros, que crescem verticalmente, de acordo com os métodos de montante, jusante e de linha de centro. Outra produção de rejeitos é a base de pastas espessas e secas, considerada uma nova modalidade de eliminação de resíduos. No entanto, mesmo considerando que o descarte úmido é mais susceptível à ruturas, do tipo liquefação, este método de disposição é o mais comum, particularmente devido ao aspecto econômico. A verdade é que o comportamento geotécnico, do rejeito de minas, é difícil de se avaliar e, consequentemente, pouco compreendido, razão pela qual de 1930 a 2019, mais de 40 barragens de rejeitos romperam, por falhas diversas, principalmente as construídas pelo método de montante. A última grande catástrofe ocorreu, infelizmente, entre nós, em 2019, Minas Gerais, na barragem de rejeitos de extração de ferro, de Brumadinho, acarretando a morte de quase 300 pessoas e destruição ao longo de quase 10km. Atualmente, questionamentos têm sido apontados sobre a estabilidade e possível impacto ambiental das barragens de rejeitos, construídas pela técnica de aterro hidráulico. Questões, envolvendo a estabilidade são levantadas, em parte, pelo uso dos rejeitos como material de sua construção. Barragens inativas, também estão recebendo mais atenção, devido aos efeitos de longo prazo, da dispersão de poeira, contaminação das águas subterrâneas e, claro, por possíveis problemas de estabilidade. Em muitos casos, como o ocorrido nas Barragens do Fundão, em 2015 e Brumadinho, em 2019, os custos de reparação são terrivelmente altos, excedendo os custos do projeto original e de sua correta operação. No Brasil, para a elaboração e apresentação técnica, de um projeto de barragem de contenção de rejeitos de mineração, exige-se uma série de dados específicos, agrupados em uma sequência padrão, prescrita pela norma ABNT NBR 13028/2017. A maioria das diretrizes de segurança, atualmente disponíveis para barragens, não faz uma boa abordagem para suas particularidades. Muitas das orientações, comumente utilizadas, são dirigidas para estruturas de contenção de água (barragens convencionais), resultando em utilização pouco amigável, potencialmente insegura e/ou inapropriada, em se tratando de aspectos específicos de segurança. Como exceção, uma série de tópicos abordando diversos aspectos das barragens de rejeitos, foi apresentado e publicado pela International Commission on Large Dams (ICOLD) nos últimos 20 anos, exibindo foco sobre segurança para esse tipo de barragem.
SOFT SOIL BRAZILIAN INSTITUTE
Edição 23

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